Praticada ao ar livre e com distanciamento, modalidade foi apontada por especialistas como a mais segura para ser praticada nesse período
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| Capa Jornal Correio do Estado, Crescimento do ciclismo durante a pandemia |
O ciclismo foi uma das modalidades que mais cresceu durante o período de pandemia, com explosão no número de adeptos e nas vendas e até mesmo falta de peças e de acessórios no mercado. Segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), em 2020 houve um aumento de 118% nas vendas de bicicletas em relação ao ano anterior. Pesquisa realizada pela plataforma de vendas Semexe mostrou que 89% dos esportistas ouvidos acreditam que pedalar ao ar livre é mais seguro que exercícios na academia, e 72% pretendem incorporar mais vezes a bicicleta como atividade de lazer na sua rotina mesmo após ser vacinado.
O empresário José Cassiano, proprietário da loja especializada Smart Bike, localizada em Campo Grande, estima um aumento em torno de 30% nas vendas da loja durante os anos de 2020 e 2021, principalmente para bicicletas de entrada, itens de segurança e acessórios essenciais para quem está começando na prática do esporte, como capacetes, luvas e luzes de sinalização. “Hoje o público masculino ainda predomina, mas notamos um grande aumento de mulheres iniciando no esporte”, afirma Cassiano. O mesmo aumento foi notado pelo comerciante, ciclista e comunicador do esporte Anderson Fabricio Moraes. “As mulheres cresceram significativamente, a gente percebe isso dentro dos eventos, nos pedais, nos passeios, nas redes sociais, enquanto 1 ou 2 homens começam a pedalar, 8/9/10 mulheres iniciam no esporte. As mulheres têm conquistado seu espaço no esporte e em várias áreas, e no ciclismo não é diferente”, explica.
A jornalista e gerente de contas Jéssika Corrêa foi uma dessas mulheres que começaram no ciclismo durante a pandemia. “Decidi começar a pedalar porque sempre quis fazer uma atividade física ao ar livre que fosse um misto de desafio, superação e liberdade. Como estava treinando em casa, foi a maneira que encontrei de poder sair”, conta. Para ela, o mais importante para iniciar na bike é ter vontade e se informar, principalmente com quem já pedala. “O preço de bikes, equipamentos e acessórios está muito alto, principalmente porque a procura cresceu muito, mas não precisa investir tanto logo no começo, e sim comprar uma bicicleta básica e ver se vai curtir o esporte, se vai se adaptar. Foi o que eu fiz, depois de uns seis meses, troquei por uma bike de performance e comecei a me equipar mais”, aconselha.
Para Anderson, a pandemia do coronavírus trouxe um novo perfil para o ciclismo, de pessoas oriundas de outras modalidades, como musculação e futebol. “Pessoas que a gente jamais imaginou que gostariam de pedalar hoje descobriram a bike e estão evoluindo na prática”, completa. Para ele, o mais importante é começar a pedalar pensando na saúde, e aos poucos ir evoluindo para novas marcas e até para participar de competições, como a Bonito 21K, que será realizada em Bonito entre os dias 03 e 05 de dezembro. “O mais importante é começar, depois disso acho que é um processo natural até você ir se encontrando nesse mundo da bike, descobrindo a que tribo você vai pertencer dentro do ciclismo”, frisa.
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| A procura pelo modalidades de ciclismo tem sido forte em todo país - Foto: Divulgação |
Na avaliação do infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP Fernando Bellíssimo Rodrigues, a busca pelo ciclismo foi uma boa alternativa durante a pandemia. “É um excelente exercício para ser feito durante a pandemia, já que, normalmente, é realizado ao ar livre e de maneira individual. Mas mesmo que seja feito de maneira coletiva, a possibilidade de transmissão dessa doença [Covid-19] ao ar livre é muito remota”.
O ciclismo engloba modalidades para todos os gostos, como ciclismo de estrada, praticado no asfalto, com foco na velocidade, e mountain bike, em trilhas que superam obstáculos em meio à natureza. “A dica que eu dou para quem vai para a Bonito 21K é se permita, não coloque tanta pressão. A vida coloca muita pressão na gente, o dia a dia, o trabalho, as obrigações, por isso não deixe a bike ser mais um fardo, tem que ser algo leve e prazeroso. Se prepare, treine dentro da quilometragem que você vai fazer, mas saiba que a prova é só uma coroação de tudo que você treinou para chegar até lá”, aconselha Anderson.
“O ciclismo é uma modalidade que cresceu muito no período da pandemia, no Brasil e também no exterior, o que nos fez em 2020 tirar do papel a ideia de realizar essa nova modalidade no evento. A nossa prova é na categoria ciclismo de estrada, com 50 e 121 quilômetros, mas neste ano também teremos uma categoria específica para MTB, prestigiando os atletas desse segmento que participaram conosco no ano passado”, completa Kassilene, organizadora da Bonito 21K.


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